Artigo publicado no Jornal Tribuna do Direito
Data: 01.10.1996 (p. 33)
Autor: Waldir de Arruda Miranda Carneiro
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PREPAREM SEUS ESTILINGUES!
WALDIR DE ARRUDA MIRANDA CARNEIRO
Os recentes efeitos da crescente violência que assola nosso pais estão a levar a maior parte de nossos compatriotas à mais completa indignação.
No entanto, em meio ao choque diante da barbárie, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo e o Tribunal de Alçada Criminal anunciam uma campanha de desarmamento. Informam, mais, que será encaminhada ao governador proposta de decreto que proibirá a concessão e a renovação de portes de armas.
Eu não sei quanto aos cidadãos comuns, mas os criminosos. por certo irão aplaudir a medida. Afinal, já era hora de se colocar fim a insubordinada atitude de certas vítimas rebeldes que não os deixam trabalhar em paz.
Tal orientação deve ir ao encontro dos anseios de igrejas e de outras entidades que pregam a política da não-reação, especialmente daquelas que se esquecem dos deveres humanos ao conduzirem sua luta em favor dos direitos destes.
De outro lado, a polícia, já enfraquecida pela falta de recursos. e incumbida de tarefas mais importantes, como a de fiscalizar rodízios instituídos por normas inconstitucionais.
Agora, quem quiser defender-se dos ladrões vai ter de fazer uso de outros meios de intimidação. Eu, por exemplo, preocupado com o problema. já me inscrevi num curso de estilingue.
Mas, pensando bem, vou desistir do curso. Pra que tanta violência? Pra que reagir? Acho que vou comprar um punhado de medalhas para condecorar o próximo ladrão que encontrar. Afinal eles já são os donos da cidade, não é mesmo?
Começo a me sentir ultrapassado nos meus ideais de advogado. O negócio é prestigiar o conformismo e a passividade. Reagir? Jamais! Vamos desarmar o cidadão. Armas… só para o ladrão!
O autor é advogado em São Paulo.
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